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Escritos
Textos que vou deixando aqui, quando há algo a dizer.

· o nó ·
O nó que ninguém te ensinou a ver
Não é falta de esforço, nem de sorte, nem de amor. Há um nó por baixo, e enquanto não o vês, ele decide por ti.
22 de maio de 2026

O dia em que deixaste de te explicar
Explicar-te é pedir permissão para seres quem és. E tu já não precisas dessa permissão.

A mulher que já não pede desculpa por existir
Quantas vezes por dia pedes desculpa por coisas que não fizeste? Repara. E pára.

Dizer não é o primeiro sim que te dás
Cada não que dizes ao mundo é um sim que te dás a ti. E esse sim muda a forma como respiras.

Porque é que repetes o mesmo padrão
Não é falta de força de vontade. É o nó por baixo a fazer o seu trabalho, em silêncio, como sempre fez.

A beleza de seres vista a meio
Não precisas de estar pronta para seres amada. Precisas de ser vista exactamente como estás.

Voltar a casa sem sair do sítio
Há uma casa que não fica num lugar. Fica num gesto, num minuto, numa forma de ouvires a tua própria respiração.

Atravessar não é destruir
Quem rasga véus magoa o que está por baixo. Há uma forma mais antiga, e mais firme, de chegar lá.

Acordar sem pressa
Os primeiros cinco minutos do dia decidem o tom de tudo. E tu tens gasto esses minutos em piloto automático.

O silêncio que tu evitas é a tua maior pergunta
Não foges do silêncio porque ele está vazio. Foges porque sabes, no fundo, que ele está cheio de ti.

A gentileza que tens contigo quando ninguém vê
Não é amor próprio de slogan. É a forma como te tratas quando erras e ninguém está a ver.

Cada véu é uma forma de te protegeres
Há partes de ti que não escondes por vergonha. Escondes-as porque um dia foi a única forma de continuar.

O dia em que paraste de te preparar para viver
Estavas tão ocupada a preparar-te para a vida que te esqueceste de a viver. Ela já tinha começado.

O que tu não te deixas querer
A tua vida está limitada não pelo que tu não consegues, mas pelo que tu não te deixas desejar em voz alta.

O prazer de fazer uma coisa de cada vez
Não é produtividade. É presença. E a presença tem um sabor que a pressa nunca te deixou provar.

A respiração que tu deixas a meio
Há semanas que tu não respiras até ao fim. Repara agora. não conseguiste.

A liberdade de não ter de perceber tudo
Nem tudo precisa de ser compreendido para ser libertado. Às vezes basta sentir e deixar ir.

O que tu herdaste sem dizer sim
Há heranças que não vêm em testamento. Vêm em silêncio, em medo, em formas de amar que ninguém te explicou.

Quando os teus filhos já não carregam o teu peso
O ciclo não se quebra com força. Quebra-se no dia em que tu olhas para o que carregas e decides não o passar.

A mulher que tu tens medo de ser
Não é a versão pequena de ti que te assusta. É a outra. a inteira. Aquela que ninguém na tua casa te deu permissão para ser.

A mulher que escolheu ficar rica
Rica não é ter muito. É parar de devolver o que a vida te dá porque a tua família te ensinou que não era para ti.

O corpo sabe primeiro
A tua cabeça chega tarde a quase tudo o que importa. O teu corpo já sabia há semanas.

O amor que cabe quando tu cabes
As relações não mudam quando a outra pessoa muda. Mudam quando tu deixas de encolher para caber.

A lealdade invisível que te tira o que queres
Há partes de ti que escolhem ficar pequenas para não trair quem te formou. E tu nem percebes que estás a escolher.