A respiração que tu deixas a meio

· presença ·

4 de novembro de 2025

A respiração que tu deixas a meio

Há semanas que tu não respiras até ao fim. Repara agora. não conseguiste.

Pousa o telefone.

Respira fundo.

Reparas? Não foste até ao fim. O ar entrou três quartos e tu já o estavas a libertar. Tens feito isto há horas. Há dias. Talvez há meses.

Há pessoas que andam o dia inteiro sem respirar de verdade.

A respiração curta tem uma história

O teu corpo só respira a fundo quando se sente em segurança. Quando há mesmo que seja só uma parte de ti que está em estado de alerta, a tua respiração encurta-se sem te perguntar. Os ombros sobem ligeiramente. O diafragma trava. Tu respiras pela parte de cima dos pulmões, depressa, sem dares por isso.

E a maior parte das pessoas nunca repara que está a fazer isso. Acha que é assim que se respira. Acha que aquela tensão na nuca é cansaço, e aquela impaciência de fim de tarde é o trânsito.

Não é. É a respiração curta a acumular.

O que abre

Não te peço meditação de quarenta minutos. Peço-te uma respiração só. Uma.

Inspira pelo nariz, lentamente, até sentires o estômago a empurrar. Deixa o ar chegar onde não estava a chegar há horas. Espera dois segundos. Solta devagar pela boca.

Repara o que muda. Os ombros caem meio centímetro. A pressa diminui um nadinha.

Esta foi a tua primeira respiração inteira do dia. Faz mais cinco como esta antes de adormeceres.

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