Repara no que fazes nos primeiros cinco minutos depois de abrir os olhos.
O telefone. As notificações. A lista mental. O corpo levanta-se antes de a alma acordar. E o dia começa apressado, contraído, reactivo. Não porque o dia seja mau. Porque tu nunca lhe deste hipótese de ser outra coisa.
O que acontece se esperares
Se ficares deitada mais dois minutos sem pegar no telefone. Se deixares os olhos abertos a olhar para o tecto. Se respirares fundo antes de te mexeres. Se perguntares ao corpo: como estás hoje?
Acontece qualquer coisa estranha. O dia não começa a correr. Começa a chegar. Há uma diferença enorme entre as duas coisas.
A manhã como território
Os primeiros minutos da manhã são o único momento do dia em que tu ainda não és nada para ninguém. Não és mãe, nem profissional, nem parceira, nem filha. És só tu, a acordar. E esse espaço entre o sono e o papel é sagrado.
Se o preencheres com pressa, perdes-o. Se o protegeres, ele protege-te.
A prática
Amanhã, quando acordares, não pegues no telefone. Fica. Sente o peso do corpo no colchão. Respira três vezes devagar. Depois levanta-te.
Os primeiros cinco minutos do teu dia são teus. Se os recuperares, o resto muda sozinho.
