Passaste anos a medir-te.
A medir o que podias dizer, o que podias sentir, o tamanho que podias ocupar. Aprendeste a fazer-te pequena para não incomodar, a cortar pedaços de ti para caber em espaços que nunca foram do teu tamanho.
E depois perguntavas porque é que te sentias apertada.
O amor que encolhe
Há relações que parecem amor mas são negociação. Tu dás um pedaço de ti, a outra pessoa fica. Tu escondes uma opinião, o conflito não acontece. Tu desistes de um desejo, a paz mantém-se.
Mas essa paz tem um preço. Cada pedaço que cortas para caber é um pedaço de ti que se perde. E ao fim de algum tempo, nem tu te reconheces. E a outra pessoa, sem saber, está a amar uma versão editada de alguém que já não existe.
O que muda
O amor muda quando tu ocupas o teu tamanho inteiro. Não com agressividade. Com presença. Quando dizes o que sentes sem pedir desculpa. Quando manténs um limite sem te justificar. Quando permites que o desconforto exista sem correr a resolvê-lo.
Algumas relações vão alargar-se para te conter. Outras não vão conseguir. E essa é a verdade mais difícil e mais libertadora que vais encontrar.
O amor que te serve é o que cabe contigo inteira. Não a versão editada. Tu.
