Quando foi a última vez que fizeste só uma coisa?
Não comer enquanto vês o telefone. Não ouvir um podcast enquanto cozinhas. Não planear amanhã enquanto tomas banho. Uma coisa. Só uma. Com o corpo e a mente no mesmo sítio.
Se não te lembras, é normal. O mundo inteiro conspira para te dividir. E tu, que aprendeste que parar é perder tempo, já nem sabes o que é estar inteira numa só acção.
O que se descobre
Quando fazes uma coisa de cada vez, descobres textura. A textura da água nas mãos. O peso real da chávena. O som dos teus próprios passos. Coisas que estiveram sempre lá mas que a pressa tornava invisíveis.
E descobres prazer. Não o prazer de recompensa. O prazer de contacto. De estares viva e saberes que estás.
A prática
Escolhe uma coisa por dia que fazes sem nada em paralelo. Pode ser o café da manhã. Pode ser o duche. Pode ser caminhar até ao carro.
Faz essa coisa como se fosse a única que existe. Porque nesse momento, é.
A presença não se treina em retiros. Treina-se em chávenas de café bebidas com os dois olhos na chávena.
